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Online, Apple quer ser o centro digital


Por Jessica Guynn
Salvador Rodriguez
Los Angeles Times

Ainda magro por causa de sua luta contra um tipo raro de câncer, Steve Jobs interrompeu sua licença médica e apresentou o novo projeto da Apple: o iCloud.

Naquilo que ele descreveu como uma grande mudança na forma com que milhões de pessoas armazenam e organizam suas músicas, documentos, fotos e e-mails em diferentes dispositivos, Jobs apresentou um serviço online que permitirá aos usuários da Apple acessar sua mídia digital em qualquer aparelho. Para o diretor executivo da Apple, as pessoas não podem mais depender do computador como o centro digital de suas vidas.

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“A tarefa de manter estes dispositivos em sincronia está nos deixando
loucos”, disse ele na segunda, durante a abertura da Conferência
Mundial da Apple para Desenvolvedores (WWDC, em inglês) realizada em São
Francisco. “Temos uma excelente solução para este problema. Vamos
rebaixar o PC ao status de apenas mais um dispositivo. Vamos transferir o
centro de sua vida digital para a nuvem”, disse, se referindo à
internet.

A Apple, maior distribuidora mundial de músicas, vai permitir que os
consumidores acessem todas as músicas armazenadas em seus discos rígidos
– tenham elas sido copiadas legalmente ou não – por US$ 25 anuais, com o
consentimento da indústria musical. Segundo ele, é uma proposta
inédita.

A empresa também quer que os consumidores guardem todas as suas
informações online. De acordo com os analistas, trata-se de uma
tentativa da Apple de manter sua posição dominante nos mercados de
smartphones e tablets diante da concorrência cada vez mais acirrada com
os celulares Android, do Google.

Dessa forma, como ocorreu no caso do iPhone – um produto que chegou
atrasado, mas acabou revolucionando o mercado de smartphones –, a Apple
pode ser a empresa responsável por popularizar a computação em nuvem e,
assim, obteria uma vantagem competitiva em relação aos rivais Google e
Amazon.
“A Apple vai definir como será ao futuro dos serviços online”, disse o analista Tim Bajarin, da Creative Strategies.

Segurança. Mas a empresa está embarcando na
computação em nuvem num momento em que serviços online enfrentam ameaças
crescentes. O recente roubo de centenas de contas do Gmail, incluindo
as de funcionários do alto escalão do governo americano, mostrou a
vulnerabilidade das informações armazenadas na rede.

No caso do Google, um usuário pode acessar todo tipo de dado por meio
de uma única conta. Com a senha de um usuário, hacker poderiam acessar
os arquivos, a agenda, os contatos e as informações pessoais armazenadas
ou enviadas por e-mail.

Apesar de os dispositivos da Apple terem um bom histórico relacionado
à segurança, especialistas dizem que o iCloud pode, no futuro, adotar
um método de autenticação adicional para proteger informações
importantes. Além da senha, um aplicativo de segurança pode ser usado
para enviar um segundo código de login. Google e Facebook já utilizam um
recurso desse tipo. “Se alguém roubar sua senha, ainda terá de obter
este código”, disse o especialista em segurança Tin Zaw. “E este código
só poderá ser usado uma vez”.

Música. A Apple também criou uma ferramenta que
facilitar a tarefa de baixar e ouvir as coleções de músicas em qualquer
dispositivo. Assim, os 200 milhões de usuários do iTunes não terão de
transferir manualmente cada arquivo de música para seus iPods, iPhones e
iPads. Isto só é possível porque a Apple fez acordos com as quatro
principais gravadoras de música.

A nova tecnologia da Apple, chamada de iTunes Match, vasculha o disco
rígido em busca de músicas e permite que elas sejam tocadas em todos os
aparelhos – independentemente se o usuário comprou a música na loja da
Apple ou não. As únicas canções que terão de ser transferidas
manualmente serão aquelas que não constam no catálogo na loja online da
Apple.

Numa crítica aos serviços dos rivais Amazon e Google (compare-os
abaixo)– que ainda não chegaram a acordos com a indústria musical, e por
isso exigem que o usuário transfira todas as músicas do seu acervo –,
Jobs disse que o serviço da Apple funciona em questão de minutos, e não
horas ou dias. A Apple vai dividir com as gravadoras e distribuidoras de
música a taxa anual de US$ 24,99 cobrada pelo acesso ao iTunes Match.

Foi a segunda aparição de Steve Jobs em um lançamento da Apple desde
que ele entrou em licença médica em janeiro. Na primeira, em março, o
fundador da Apple apresentou o iPad 2, o que indica a importância deste
segundo anúncio para ele e para sua empresa. Steve Jobs chamou a ideia,
surgida há uma década, de sua “próxima grande sacada”.

A música “I Got You (I Feel Good)”, de James Brown, tocou pouco antes
de Jobs subir ao palco. Usando a clássica combinação de camiseta preta
de gola alta e jeans, o executivo, mais magro, foi recebido com aplausos
de pé enquanto milhares de desenvolvedores de software usavam seus
iPhones e iPads para tirar fotos de Jobs. Um deles chegou a gritar “Nós
te amamos”, ao que ele respondeu, “isto ajuda”.

Jobs dividiu os holofotes com outros funcionários do alto escalão da
empresa e se mostrou animado ao apresentar o iCloud “Achamos que esta
novidade vai se tornar algo bem grande.”

/ TRADUçãO DE AUGUSTO CALIL

Fonte: http://blogs.estadao.com.br/link/online-apple-quer-ser-o-centro-digital/

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